
MEU DEUS que saudade do Kichute. Kichute era um tênis preto, muito estiloso com umas travas de borracha imitando uma chuteira. O kichute tinha o maior cadarço do planeta.
Para amarrar esse cadarço enorme tínhamos que ser bem criativos.
Uns faziam vários e vários laços um em cima um do outro, ficava muito esquisito aquela moita de laços que sempre embolava. Outros enrolavam o cadarço no Kichute, de cima para baixo passando pela sola, como o Kichute tinha umas travas era possível passar o cadarço por ali sem que ele encostasse no chão.
Meu estilo preferido era dar voltas e mais voltas na canela. Eram tantas voltas que o laço ficava bem perto do joelho.
Usava muito o Kichute e como o próprio nome diz ele era feito para chutar. Chutávamos bola, pedra, tampinha, galho, lata, garrafa, portão, panela e os amigos.
Sim, chutávamos os amigos.
Tinha uma brincadeira que se chamava “Bicudinho”. Você aliava Bicudinho com o seu amigo e toda vez que houvesse o 1º encontro do dia um podia literalmente descer o pontapé na bunda do outro. A única maneira de se evitar essa agressão era falar: “Altas bicudinho”.
Ou seja, o infeliz era sempre pego de surpresa.
E era sempre a mesma coisa, um ficava com a mão passando na bunda e o resto da turma riam, davam gargalhadas e gozavam.
Recebi e dei vários desses chutes e que chutes!
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Autor: Raphael Zanforlin Pessoa Dias
Publicitário, Fotógrafo e Videomaker.









Você lembra qual foi a primeira novela do Brasil? Se pensou "O rei do Gado", "Malhação" ou "Rainha da Sucata se enganou".







